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Não sei por vocês, imagino até que a maioria discorde de mim, mas eu não creio que seja adequado o Rio de Janeiro sediar as Olimpíadasde 2016.
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Mantenho essa opinião desde o aníncio da vitória, ou seja, antes da notícias sobre a guerra do tráfico no Morro dos Macacos que derrubou até helicóptero da polícia militar carioca. Isso é o fim dos tempos.
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De fato a violência no Rio e Janeiro é um fator atemorizante ao se pensar num evento desse porte na cidade. Pode até ser que os traficantes dêem uma trégua durante a realização dos jogos, já que para eles é interessante para "comércio" de seus produtos. Pode ser também que as autoridades façam um acordo com eles pelo período dos jogos, principalmente concedendo regalias carcerárias aos líderes no xilindró, como já vimos acontecer. Mas quem faz acordo com bandido não pode esperar que a palavra seja cumprida. Não existe garantia.
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Falo isso com a experiência de quem já morou no Rio de Janeiro por 8 anos (1984 a 1992)), época em que a violência existia, mas ainda não tinha tomado as proporções dos dias atuais. Falo também porque minha família é toda do Rio de Janeiro, e sei que lá o clima de insegurança é permanente.
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Todo mundo sabe, vez que a fama não me deixa mentir, que todo carioca é malandro (no bom sentido da palavra), tem a malícia. E quem é carioca sabe onde pode e não pode andar e frequentar. Sabe hora e por quais ruas deve seguir. Tem um jeitinho todo característico que muitas vezes os fazem fugir de furadas. Mas, e os turistas?
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A história conta que se você entra por engano numa rua no Rio de Janeiro e cai na entrada de uma favela, corre o sério risco de ter seu carro fuzilado, independente do horário, se tem criança no carro, ou se é homem ou mulher.
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Hoje mesmo foi amplamente noticiado o assalto do coordenador do grupo Afroreggae, que foi baleado por bandidos e deixado na calçada em uma das ruas do Rio. Logo em seguida, pára uma viatura da polícia carioca que (pasmem!) libera os bandidos, pega os pertences da vítima e deixam o rapaz agonizando no chão até morrer. Tudo gravado e documentado. Quem é mais bandido nessa história?
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Na minha opinião o mau policial é pior do que 10 bandidos. Do bandido você á sabe o que esperar, mas do policial você espera proteção. Policial bandido é surpresa, quer dizer, já está deixando de ser surpreendente. Estamos todos reféns de uma segurança pública falida, atasada e corrupta (não em sua maioria, mas a parcela existente já é suficente pra gerar o caos).
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Como disse o Zé Simão em sua coluna, o slogam dessas Olimpíadas é Rio 2016 tiros por segundo. e o mascote vai ser o Dadinho, ou melhor, Dadinho é o c****, vai ser o Zé Pequeno. Uma pataquada geral!
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A falta de segurança não é o único fator que me faz pensar contra a realização dos jogos no Rio.
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A impressão que tenho é que o Brasil vive o sistema romano da política do panem et circenses, e os jogos no nosso território só vem coroar esse pensamento.
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Nessa seara, o Bolsa família, Vale Leite, Vale Gás, Bolsa Escola e afins seriam o panem. Já as Olimpíadas, o carnaval e o futebol seriam o circenses.
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Trocando em miúdos, enche a barriga do povo e dá um pouco de diversão em detrimento da liberdade, segurança, saúde, educação e etc. É a república do pão e circo.
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É tudo tão despropositado que um paralelo interessante seria o orçamento e organização doméstica. Numa família existem prioridades orçamentárias básicas: alimentação, moradia, educação e saúde. O lazer, direito constitucional assegurado a qualquer cidadão, é importante para a mantenção da saúde mental de qualquer pessoa, afinal somos todos humanos e não robôs.
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Mas cá entre nós, o que é mais importante, ir ao mercado ou ao shopping? Comprar uma roupa ou pagar o aluguel? Ter um plano de saúde ou comprar um abadá? Estudar ou ir num jogo das olimpíadas?
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Como pode o Brasil investir bilhões de reais em obras para construção de uma faraônica estrutura esportiva e deixar a saúde pública sem orçamento para criação de UTI's, compra de remédios, capacitação de funcionários, contratação de médicos, criação de um sistema de captação de órgãos nacional e integrado (muitos órgãos e vidas são pedidos pela burocracia excessiva e a carência de uma central capaz de captar em tempo hábil um órgão de um estado e mandar para outro)? Sem falar nas escolas públicas sem nenhuma estrutura e segurança, com professores sem capacitação e mal remunerados. Geração de empregos, investimento em universidades, investimento em pesquisas, etc. Nada disso é relevante?
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E o que vão ser desses ginásios depois de terminado os jogos? Vão sediar campeonatos de futebol que servem apenas de trampolim para os nossos jogadores irem para fora do país, afinal aqui no Brasil é só início e fim de carreira.
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Que vontade é essa de investir em estrutura esportiva se os nossos atletas não recebem incentivo para treinar? A Jade Barbosa, ex-promessa da nossa ginástica olímpica, sofreu grave lesão no pulso e estava trocando camisa do flamengo autografada por remédios para seu tratamento, pois não tinha como pagá-lo. Perdeu o patrocínio e o salário.
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Falo da Jade porque é uma atleta conhecida e querida pelo Brasil, que superou inúmeras dificuldades para chegar onde chegou, com muito esforço, abdicação e dedicação. E o que ela recebeu em troca do seu país quando mais precisou? Mas e os milhares de Joãos e Marias espalhados por aí que treinam em condições precárias, sem nenhum incentivo, sem estrutura e sem patrocínio?
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Além de tudo isso não posso deixar de citar as maracutaias políticas de superfaturamento de obras. Imagina quantos bilhões de reais escorrerão pelos canos de alguma obra para construção de alojamento esportivo ou reforma de estádio ou criação de outras alternativas para o sistema de transporte urbano, considerando que o atual não comporta o fluxo?
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É surreal!
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É sim a república do pão e circo, mas estamos mais para o circo que para o pão.
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Engana-se quem pensa que estamos sentados na platéia circense, somos todos os palhaços que fazem parte desse espetáculo, pois no fim, quem paga a conta somos nós.
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Um comentário:
Discordooooooo!
Quero festaaaaaaaaaaaaaa!
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