segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A ABSOLVIÇÃO

******
Todos os dias julgamos e somos julgados. É instantâneo e involuntário.
*
Seja pelas nossas atitudes, pensamentos, gostos ou experiências de vida. Somos analisados, julgados e condenados quase todo tempo.
*
Nossas opiniões e gostos são formadas a partir das referências que nos são apresentadas ao longo da vida.
*
Penso que o ser humano quando nasce é como um cd vazio, que conforme vai recebendo influências externas (seja da família, dos amigos da família, dos prórpios amigos, dos pais dos amigos, dos vizinhos, etc.), vai formando a sua convicção, vai criando percepções próprias que levará consigo para o resto da vida.
*
É claro que cada um tem dentro de si uma tendência imutável, como se fosse a sua marca pessoal que lhe acompanhará e lhe orientará nas escolhas da vida. O termo mais usual seria "personalidade". Cada um tem a sua, todo ser já nasce com ela, independente das influências externas que vier a receber.
*
Mas o que isso tem a ver com os julgamentos a que somos submetidos e com os que fazemos todos os dias?
*
Bom, penso eu, na loucura turbinada dos meus pensamentos, que quando fazemos um julgamento mental (sem maldade) a respeito de alguém, na verdade estamos afirmando a nossa personalidade.
*
Como assim? Vou tentar explicar.
*
Pitágoras, filósofo pré-Socrático já dizia que "tudo é um", ou seja, os opostos não apenas se atraem, mas eles se fundem, se confundem e muitas vezes são a mesma coisa vista de ângulos diferentes.
*
A contradição, a diferença e o antagonismo são características inerentes ao pensamento humano pela necessidade de auto-afirmação do ser.
*
Note que não existiria o bem se não existisse o mal, nem o escuro se não existisse o claro, nem o barulho se não soubéssemos o que é o silêncio. Precisamos de uma contraposição, de um antagônico para afirmar uma característica. Precisamos notar no outro para denotar em nós.
*
Heráclito de Éfeso, outro pensador da antiguidade considerava que luta e contradição não deveriam ser evitadas, pois são elas as responsáveis pela formação do mundo. Penso que a dualidade é a auto afirmação do ser. É a colocação do ser humano em algum lugar da sociedade.
*
O antagonismo é importante para que conheçamos as nossas características e com elas possamos trabalhar para sempre melhorar.
*
Afinal, ninguém é perfeito ou dono da verdade, somos todos serem com qualidades e com defeitos, que são importantíssimos para a formação da humanidade.
*
Assim, penso eu que o julgamento que fazemos a respeito das pessoas é natural e necessário.
*
Importante frisar que o julgamento de que falo é a simples contraposição de idéias, ou de gosto, desacompanhado de maldade.
*
O julgamento maldoso é a arma que os iseguros têm pra dizer que eles não são tão ruins assim.
*
Pense bem, a pessoa arrogante, pedante, metida não quer com o seu comportamento dizer às outras pessoas que é melhor que elas, embora essa seja a mensagem que nos chega.
*
Na realidade ela quer dizer a si mesma que ela não é tão ruim assim, que ela não é pior que ninguém. É uma luta extenuante e diária da pessoa insegura. Por não conseguir se colocar no mundo de uma maneira positiva, precisa diminuir quem está à sua volta pra não se sentir tão feio... Conheço inúmeras pessoas com esse "defeito" de fabricação.
*
A partir dessa conclusão, ouso agora convidar você a pensar. Veja como o arrogante, metido, nessa perspectiva, deixou de ser mobilizador de raiva (quem ele tá pensando que é?) e passou a ser mobilizador de piedade (nossa, ele não sabe o que é de verdade...). O que é melhor sentir, raiva ou piedade?
*
Fica fácil perceber como "tudo é um", e que cada coisa tem o valor e a verdade que nós damos a ela, depende da maneira como escolhemos enxergar a vida.

******

Nenhum comentário: