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A verdade incomoda?
Eis um questionamento que volta e meia faço a mim mesma. Não são raros os momentos em que me sinto agredida por ser criticada. Mas se a crítica não tem fundamento, porque me prender tanto a ela?
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Penso que a crítica vazia mobiliza indiferença, vez que se o mérito é falso, não merece repercussão. Somente a verdade pode ser inconveniente. A milenar e irrepreensível sabedoria popular comprova esse pensamento quando atenta para o fato de que uma crítica pode ser tida como verdadeira quando o seu alvo "veste a carapuça". Afinal se esta não lhe servisse, passaria desapercebida.
Como já dizia o filósofo (Tácito):
"Quem se enfada pelas críticas, reconhece que as tenha merecido."
O certo é que podemos ou não aceitar uma crítica que nos é dirigida, apenas isso.
O debate sobre a pertinência ou não de uma idéia deve se restringir ao pensamento que se contrapõe. Sobre a verdade ou não da crítica que recebemos. Desqualificar quem vê em nossas atitudes algo repreensível, fugindo ao mérito do que se pretendia negar, soa como desespero de quem não consegue enfrentar seus próprios fantasmas.
Defender-se de uma crítica significa argumentar contra o pensamento com o qual não se identifica, sendo que a defesa se restringirá ao campo das idéias e não deve atingir a pessoa que entendemos como ofensora.
Atacar quem nos critica me parece atitude daquele que acabou de ser pego com a boca na botija fazendo algo que sabe que é errado.
Defender-se de uma crítica significa argumentar contra o pensamento com o qual não se identifica, sendo que a defesa se restringirá ao campo das idéias e não deve atingir a pessoa que entendemos como ofensora.
Atacar quem nos critica me parece atitude daquele que acabou de ser pego com a boca na botija fazendo algo que sabe que é errado.
Li uma publicação de uma amiga e achei muito interessante a frase da jornalista e escritora brasileira Martha Medeiros (http://www.marthamedeiros.com.br/), que me parece demonstrar a pertinência de uma crítica quando ela nos incomoda:
"Para saber quem somos, basta que se observe o que fizemos da nossa vida. Os fatos revelam tudo, as atitudes confirmam. O que você diz, com todo respeito, é apenas o que você diz".
A consciência tranquila e a sobriedade são os antídotos mais eficazes contra qualquer crítica. Paralisam-na sem maiores estragos.
Certo é que não existe uma verdade absoluta sobre as coisas da vida, ainda mais em se tratando de atitudes e sentimentos humanos, pois no final cada um vai escolher a verdade que mais lhe agrada e acreditar nela.
O incômodo, o ódio e a falácia surge apenas quando nós mesmos (os criticados) não somos capazes de acreditar na "verdade" do que defendemos...
Por fim, deixo para reflexão um poema que encontrei entre minhas andanças virtuais, de autoria de um historiador de Natal/RN (Jarbas Leite de Albuquerque), que trata desse mesmo assunto:
CRIADOR OU CRIATURA
Será a verdade cômoda?
Será a verdade incômoda?
Será a verdade filha da necessidade
e por isso mãe da realidade?
Será o homem uma criação de Deus
ou Deus uma criação da humanidade?
Será a verdade incômoda?
Será a verdade filha da necessidade
e por isso mãe da realidade?
Será o homem uma criação de Deus
ou Deus uma criação da humanidade?
Criador ou criatura?
Tutor ou tutelado?
Talvez cego lesado
levado a crer no que precisa
para aceitar o que não pode ser mudado
Criador ou criatura?
Inocente ou culpado?
Talvez a verdade seja uma questão de ponto de vista
e a mentira um ser mutável
que igual à larva da borboleta com o tempo torna-se aceitável
Ficando a critério de cada um escolher a sua verdade,
A mais agradável.
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