quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Desculpe pela pobreza que insisto em cultivar...

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São 4:20hs da manhã e eu curto uma insônia de dar medo... Fritando desde às 23hs, rolando de um lado para o outro da cama. Assisti toda a programação das Tvs abertas e a cabo, mas nem o filme mais açucarado me trouxe o tão esperado encontro com Morfeu. Desisti.

Isso deve ser consequência dos meus 4 dias dormindo por efeito dos comprimidos de Dramin que tive que tomar para sobreviver a uma virose que literalmente me virou do avesso...

Talvez a minha falta de sono (ou excesso de idéias) tenha feito surgir em mim uma vontade louca de me comunicar. Mas como o horário não permite que eu alugue nenhum ouvido, registro aqui toda a minha ansiedade noturna.

E dentre os tantos pensamentos que me torturaram esta noite, um em especial foi mais recorrente que os demais e merece que seja desenvolvido. É meio confuso e filosofal de ser explicado, como o horário pede, mas a conclusão é bem simples.

Penso sobre onde está o valor de uma pessoa. Sobre o que faz uma pessoa valer 5 minutos da minha atenção.

Nós pautamos nossa vivência diária realizando ações que fazem com que nos sintamos bem. Cada um tem o seu momento de satisfação pessoal cotidiana. Pode ser caprichando na frente do espelho, escrevendo, lendo, comprando, conversando, pensando.... Alguma coisa dá prazer, ou pelo menos cura a ansiedade. E inevitavelmente por isso nos destacaremos perante as outras pessoas.

Confesso que tenho um certo preconceito por quem dá muito valor à marca que usa, o modelo de roupa que veste, o corte de cabelo da moda, a cor do esmalte, o modelo e ano do carro, a grife da bolsa, etecetera. Claro que estou falando de quem dá "muito" valor a essas pequenas futilidades que satisfazem o ego, embora carreguem o bolso. Gosto de uma roupa bacana, gosto de um sapato legal, afinal quando se paga bem obtém-se qualidade em troca. É um investimento inteligente em muitos casos. Mas não vivo pra isso. Primeiro porque acredito ser maior que uma etiqueta, e depois porque não preciso estar num outdoor pra me firmar como pessoa.

A impressão que tenho de pessoas que carregam no visual é de que são como um "produto de uma compra só", ou seja,  tem uma embalagem linda, mas frustram pelo conteúdo. Por isso só se compra uma vez, só vale pela embalagem. E cá entre nós, ninguém consome embalagem! 

Claro que este pensamento simples e solto é um preconceito bobo, pois existem pessoas que cuidam muito bem do seu visual e são extraordinárias companhias, conheço algumas. Mas não escrevo essas linhas (a essa hora) pra falar delas.

Já explico porquê.

No meu entender, acho muito rico ter uma existência pautada no desenvolvimento intelectual. Adoro ter idéias, adoro desenvolver raciocínios, filosofar, escrever, ler, comentar, conhecer, entender, aprender... Acho que para o conhecimento não existem limites, quanto mais, melhor. Sinceramente gostaria de ser lembrada por isso. Não gosto da idéia de ser alheada ao que acontece à minha volta.

Acho rico ter sobre o que discutir, ter preocupações que vão além do meu próprio umbigo. Chamo de "além do meu próprio umbigo" idéias que digam respeito ao coletivo, interesse público, não necessariamente relacionadas à política, mas críticas em relação ao que acontece no mundo, no país, na minha cidade, no meu bairro, na minha casa... Se melhora para o todo, melhora pra mim também! Gosto de acrescentar, fazer nascer uma idéia capaz de fomentar mudanças positivas ou gerar um debate saudável em busca de uma solução bacana. Dou muito valor a isso.

Mas, o mais interessante, é que a minha idéia de riqueza (ou a minha maneira de ver a vida) pode vir a soar, para alguns,  como pobreza.

Soube pela minha pequena de 6 anos de idade que a mãe de uma coleguinha disse à essa coleguinha, que obviamente disse a à minha filha, que eu era pobre.

Há dias penso sobre isso.

Claro que num primeiro momento o meu sentimento foi de pura indignação, mas me contive. Perguntei à minha filha o que ela tinha sentido na hora que a amiga disse isso e ela me reportou o sentimento de tristeza. Assim também me senti, pois percebi que o sentido, como eu imaginava, era o pejorativo.

Não sei, de fato, qual o sentido da palavra "pobre" que essa mãe tem em mente, afinal graças a Deus não estou na linha da pobreza material que infelizmente muitos brasileiros suportam. Mas mesmo se eu estivesse, é impeditivo para uma amizade entre duas crianças? Pobreza material é doença contagiosa e letal? Essa questão me tortura.

Devo garantir aos meus leitores (talvez somente eu mesma) que a tortura a que me refiro não é pela amizade que a minha filha não pôde construir, muito pelo contrário, o constrangimento é pela educação que está sendo oferecida a essa coleguinha. Essa sim (a educação) é pobre.

Todos os dias ensino às minhas filhas que a riqueza mais importante que a gente tem na vida é o amor que cultivamos em nosso coração. O amor traz leveza, traz felicidade, bem estar... É muito bom pode disseminar amor e praticar o bem. Por mais que não recebamos o bem de volta, a sensação de o ter oferecido já é um retributo. Essa sensação não há dinheiro que compre.

E felizmente o amor não tem preço. Impossível comprar amor verdadeiro. Você as vezes compra um sorriso, mas não o sentimento. O sentir que nasce de uma relação de consumo é para satisfação imediata. Já o amor não.

Numa visão mais pessimista e sensacionalista da situação, pode ser que eu,  ou mesmo essa mãe, um dia se depare com uma situação de grande dificuldade material, mas ainda assim será possível sobreviver se encontrar uma pessoa cheia de amor em seu coração que lhe acolha, dê comida, roupa ou mesmo um emprego. A gente nunca sabe o dia de amanhã.

Dinheiro a gente ganha e perde, mas o amor que você sentiu no coração é só seu. Ninguém tira. 

Digo isso pra tentar mostrar que gestos sinceros de carinho e amor valem mais do que um valioso bem material.

A partir dessa lógica, permito-me afirmar que é muito bonito ser altruísta da boca e da porta de casa pra fora. Como se a única pobreza que existisse fosse atestada pelo IBGE no CENSO. "Pobre é quem mora debaixo da ponte". 

Interessante notar como podem existir pessoas que doam um prato de comida ao necessitado que bate à porta mas esquecem de praticar o amor dentro da sua própria casa, ou melhor, cultivar o amor dentro do seu próprio coração... A pobreza afetiva é a pior das mazelas da humanidade e infelizmente assola muitos e muitos lares...

Não é preciso muito mais dizer para eu chegar à conclusão de que prefiro suportar a minha "pobreza material" (na visão da "abastada" mãe), que em nada atrapalha minha existência (graças a Deus!), do que padecer da pobreza afetiva e pobreza de espírito que a ela acompanha. A "cura" do "mal" que me assola está em trabalhar e conquistar bens materiais, o que graças a Deus tenho plenas condições, mas a cura do mal que a ela acomete... Só Deus pra consertar!...

***

7 comentários:

Ju disse...

R ica pela sua amizade
I ndig em imaginr q mtos são assim
C oitados...
O brigada por ser as 3D!!

Ana Virgínia Knauer Nogueira de Almeida disse...

Ju, não existe riqueza maior do que carinho e amor... E as 3D contém esses indredientes e muitas outras coisitas! Com certeza eu me sinto muito mais rica por ter a sua amizade Flor! Não troco essa experiência por nada mais "chique", assim, preto no branco é que é bom! Como disse Jean Jacques Rousseau: "Sempre notei que as pessoas falsas são sóbrias, e a grande moderação à mesa geralmente anuncia costumes dissimulados e almas duplas." Pessoas sóbrias e moderação à mesa? É isso que nos falta! Hahahahahahah! Ainda bem né?
Te amo princesa!

Ju disse...

Adorei!! hahahahahaha
Meu, vc é rica, inteligênte e ainda escreve bem né hahahahahaha
Ainda não li todo seu "blog master mega plus" mas o que li, amei!!!
A vovó é porreta....
Bjssss

Ju disse...

Adorei!! hahahahahaha
Meu, vc é rica, inteligênte e ainda escreve bem né hahahahahaha
Ainda não li todo seu "blog master mega plus" mas o que li, amei!!!
A vovó é porreta....
Bjssss

Ju disse...

Acho que apertei publicar comentário várias vezes... rsrsrsrs
apaga ai....

Anônimo disse...

Oi Anita
É a Fer (Mathias) fiquei chocada com essa situação, digna de roteiro de novela.... é triste mesmo ver o que essa mãe está construindo na cabeça da criança que fatalmente vai entrar para o círculo vicioso da mesquinharia... vamos torcer para que a menininha tenha uma puta luz própria!!
Mil bjos

Ana Virgínia Knauer Nogueira de Almeida disse...

Pois é Fernanda, é o que resta... Mas não podemos condenar essa mãe com veemência, afinal todos nós temos defeitos e qualidades... Penso que as pessoas se aproximam ou se afastam por questões de afinidades, e a minha maneira de ver a vida é bem diferente da dela. Só isso. Nós pensamos diferente. Não acho que ela fez mal à minha filha não, nem me senti ofendida por ter sido chamada de pobre, afinal acredito que existem coisas muito mais valiosas do que uma gorda conta bancária. O que escrevi foi apenas uma reflexão sobre um fato que aconteceu, e que não quero adotar para a minha vida. Não quero ensinar para minha filha.
Adorei que você comentoui aqui, é realmente uma honra! Muita saudade de você! Um grande beijo pra você e toda a ua família!